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TIREÓIDE

A tireóide é uma pequena glândula com formato de borboleta. Ela se encontra ao longo da base do pescoço, na frente da traquéia.

No passado, a única forma de avaliar a tireóide era por meio da palpação. Hoje, com o advento da ultra-sonografia, consegue-se um diagnóstico precoce de problemas graves mas, tornou-se muito comum encontrar à ultra-sonografia a existência de nódulos absolutamente assintomáticos, gerando uma série de questionamentos. Muitos pacientes são encaminhados para a cirurgia sem necessidade porque temem conviver com o problema. Aproximadamente 50% dos adultos têm algum nódulo da tireóide à ultra-sonografia, sendo mais comum em mulheres e na maioria das vezes impalpáveis.

A incidência de nódulos aumenta de acordo com a idade e alguns trabalhos com autópsias revelaram que 10% da população apresentavam microcarcinomas (tumores malígnos de 1 a 3 mm), sem nehuma repercussão nem manifestação clínica. Eram pessoas de idade avançada que tinham morrido por outras causas que não o câncer de tireóide.

Não se sabe exatamente por que os nódulos tireoidianos aparecem, podendo ser diversas as causas. Podem ocorrer simplesmente por alterações da arquitetura morfológica da glândula, da forma como estoca os hormônios ou do substrato que usa para produzí-los, como podem ser neoplasias, ou seja, tumores malígnos e benígnos.

Em lugares onde a exposição ambiental à radiação foi muito grande, como Hiroshima no Japão e Chernobil na Rússia, a incidência de câncer de tireóide aumentou muito na população.

O nódulo tireoidiano é um aumento de uma região distinta do parênquima normal da tireóide. No bócio, ocorre o aumento difuso da tireóide.

A glândula tireóide produz diversos hormônios que são coletivamente denominados de hormônios tireoidianos. Esses hormônios circulam pela corrente sangüínea a todos os tecidos do corpo, e desempenham um importante papel nas células, nos tecidos e nos órgãos do corpo humano.

Se a tireóide não estiver funcionando corretamente, ela pode produzir pouco ou muito hormônio tireoidiano. Se produzir pouco, faz com que os sistemas do corpo reduzam sua atividade, o que se denomina de “hipotireoidismo”. Se produz muito, faz com que os sistemas do corpo se acelerem, sendo tal fenômeno chamado de “hipertireoidismo”.

A grande maioria dos nódulos tireoidianos, praticamente a totalidade deles, não são produtores de hormônios. Quando os nódulos são autônomos, ou seja, produtores de hormônios independentemente do controle que o organismo exerce sobre a glândula, estes podem levar ao hipertireoidismo.

A punção aspirativa por agulha fina (PAAF), geralmente guiada por ultra-sonografia (em nódulos menores), é o exame padrão que se realiza para se conhecer o tipo de células que constituem o nódulo. É um exame realizado sem anestesia geral, sendo no máximo feito uma anestesia na pele. Consiste basicamente na introdução de uma agulha no nódulo e na aspiração do mesmo por uma seringa.

A punção do nódulo dá informação do conteúdo do nódulo, mas não sobre a sua arquitetura. O conteúdo dá indícios na distinção entre doenças malígnas de benígnas mas é necessário conhecer também a arquitetura do nódulo para um diagnóstico mais preciso. Muitas vezes é indicado uma cirurgia para esclarecer as dúvidas geradas pela punção.

Se a punção indicar que se trata de um nódulo malígno, é indicado a cirurgia.

Nódulos sólidos (celulares ) causam maior preocupação que nódulos císticos (com líquido no seu interior), sendo esta diferença facilmente visualizada pela ultra-sonografia.

Em pequenos nódulos tireoidianos geralmente não se faz nada. Mesmo que os mesmos sejam microcarcinomas (pequenos tumores malígnos com 1 a 3 mm), não têm a menor relevância e a pessoa, provavelmente, jamais irá desenvolver a doença.

Geralmente os nódulos são puncionados quando são sólidos e apresentam mais de 1 cm de diâmetro.

Nódulos malígnos costumam ter consistência mais endurecida. Pequenos nódulos isolados, de consistência endurecida e com crescimento acelerado, merece sempre mais atenção que a presença de vários pequenos nódulos de palpação amolecida ou impalpáveis. Um dos critérios de tratamento mais usados é não precipitar a cirurgia, mas aguardar a evolução do nódulos em termos de tamanho. Colocar a glândula em descanso por meio de hormônios é uma estratégia válida. Teoricamente, a supressão hormonal, congela a atividade proliferativa da glândula. Se o nódulo continuar crescendo na vigência deste tratamento, é motivo para preocupação.

A incidência de vários nódulos não significa que os mesmos são provocados pela mesma doença. Cada um deve ser seguido individualmente. Uma das doenças mais comum na tiróide é o bócio multinodular, ou bócio colóide, sem nenhuma relevância. Em raros casos, o aumento da tireóide provoca compressões. Nestes casos e por razões estéticas, ocorre a indicação de cirurgia, não sendo o fato ameaça à vida do paciente.

O nódulo em pessoas mais idosas devem ser avaliados com mais atenção pois, o câncer da tireóide costuma ser mais agressivo nos idosos.

Pacientes idosos, com nódulos tireoidiano de mais de 1 cm e que apresentam resultados de punção indicando um tumor de padrão folicular geram um grande problema. Esta classificação significa que o patologista não conseguiu precisar se o nódulo tem características malígnas ou benígnas. Isto gera uma situação de desconforto porque geralmente o paciente é operado de uma doença que era benígna.

Tireoidectomia é a remoçao cirúrgica da tireóide. A retirada de metade da tireóide não modifica a produção hormonal. Pode provocar algum impacto depois que a pessoa envelhece, mas tendo a informação prévia do fato, o médico irá tomar mais cuidado na avaliação dos níveis dos hormônios tireoidianos no futuro.

O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireóide produz uma quantidade de hormônio abaixo dos níveis considerados normais. Quando não tratado pode gerar sintomas tais como fadiga, ganho de peso, depressão ou intolerância ao frio, além de níveis de colesterol aumentados, doença cardíaca e infertilidade. Pesquisas revelam que cerca de 5 milhões de brasileiros tem hipotireoidismo, a grande maioria ainda não diagnosticada.

Tanto homens quanto mulheres podem desenvolver hipotireoidismo. Entretanto, a incidência é quatro vezes maior nas mulheres e aumenta com a idade, principalmente após os 35 anos.

Como o hormônio da tireóide afeta praticamente todas as células do corpo, a pessoa com hipotireoidismo pode apresentar uma grande variedade de queixas : cansaço, depressão, pele ressecada, cabelos ressecados, unhas quebradiças, constipação intestinal (prisão de ventre), anemia, fadiga, perda de apetite, aumento de peso, menstruação irregular ou ausente, tornozelos e rosto inchados e colesterol elevado.

O hipotireoidismo pode ter diversas causas. A mais comum é a que decorre da doença de Hashimoto (tireoidite auto-imune ou linfocítica). Esta doença aparece quando o organismo, por razões desconhecidas, não reconhece a tireóide como parte do próprio corpo e o sistema imune prejudica o seu funcionamento. A tireóide, assim alterada, produz menos hormônios.

O hipotireoidismo também aparece em pessoas submetidas à cirurgia da tireóide ou que se trataram de hipertireoidismo (aumento da função tireoidiana) com iodo radioativo.

Algumas crianças nascem com hipotireoidismo por ausência da glândula tireóide ou por mau funcionamento. Estas crianças devem ser tratadas imediatamente e por toda a vida, para que elas possam se desenvolver normalmente.

No passado, o hipotireoidismo era, em geral, diagnosticado quando já estava em estágio avançado. Hoje, a sensibilidade dos testes laboratoriais possibilita o diagnóstico em fase muito precoce. Um destes exames, o TSH (hormônio estimulador da tiróide), mede a quantidade deste hormônio que está circulando no sangue e informa como está funcionando a tireóide.

O hipertireoidismo se desenvolve quando há uma produção excessiva dos hormônios da tireóide (T3 e T4), sendo aproximadamente, dez vezes mais freqüente nas mulheres, afetando em torno de 2% delas no mundo inteiro.

A doença de Graves, manifestação mais comum da doença, é causada por problemas do sistema imunológico, com maior prevalência em famílias que já apresentaram casos. Nos Estados Unidos, a doença atinge, aproximadamente, 2,5 milhões de mulheres.

São sintomas comuns da doença: aumento da freqüência cardíaca, nervosismo, fraqueza muscular, sudorese, perda de peso, tremores, mudanças na pele, diminuição do fluxo menstrual, bócio e queda de cabelos. Convém destacar que os sintomas não ocorrem simultaneamente e que devem ser diagnosticados por especialistas.

Dentre as doenças difusas da tireóide (bócio difuso, doença de Graves, tiroidites virais, tireoidites autoimunes, etc), sem dúvida alguma as tireoididtes linfocitárias (de Hashimoto) são as mais comuns, afetando principalmente mulheres, numa proporção nove vezes mais que homens.

Dentre as causas atribuidas ao aumento do diagnótico das tireoidites linfocíticas na população feminina brasileira, muito se tem falado na mídia a respeito do consumo excessivo de iodo (adicionado ao sal de cozinha), que por três a quatro anos, pode levar o indivíduo com predisposição genética a desenvolver esta patologia. Além disso, sabe-se que em regiões quentes como o Brasil, tem-se o hábito de salgar mais a comida. Diante destes fatos, a adição obrigatória de iodo no sal (na taxa de 40 a 100 mg de iodo/kg de sal) foi alterada pela Anvisa, em 2003, para 20 a 60 mg de iodo/kg de sal.

O avanço tecnológico dos equipamentos ultra-sonográficos, permitindo a descoberta de modificações sutis no parênquima tireoidiano, aumentou consideralvelmente o diagnóstico precoce das tireoidites auto-imunes.

A ultra-sonografia pode ou não demonstrar alterações texturais no parênquima tireoidiano nas tireoidites auto-imunes. Quando presente, pode-se evidenciar desde tênue alteração textural difusa até hipoecogenicidade acentuada da glândula. É importante que estas alterações sejam interpretadas corretamente por profissional experiente para evitar problemas de conduta e ansiedade ao paciente. As glândulas hipoecogênicas são, em 90% das vezes, decorrentes das doenças auto-imunes, representadas em sua maioria por tireoidites ou doença de Graves. Nos casos de hipoecogenicidade acentuada e traves hiperecogênicas (fibróticas) atravessando o parênquima, não há dúvida, estamos diante de um quadro clássico de tireoidite e o diagnóstico está resolvido. O estudo com Doppler nas tireoidites evidencia geralmente um aumento na vascularização do parênquima tireoidiano, sendo um dado importante principalmente naqueles casos onde se tem uma alteração textural mínima ou duvidosa, permitindo direcionar o diagnóstico conforme o grau de vascularização. A análise espectral das artérias tireóideas pelo Doppler apresentam velocidades dentro dos limites da normalidade (não ultrapassam 40 cm/s) nas tireoidites, o que não ocorre na doença de Graves (geralmente as velocidades são superiores a 50 cm/s nos não tratados ou nos que não respondem ao tratamento), possibilitando o diagnóstico diferencial entre estas duas entidades quando o modo B (brilho em 2D) e/ou o mapeamento colorido apresentam achados superponíveis.

Na alterações com heterogenicidade do parênquima tireoidiano à ultra-sonografia, é muito comum a geração de dúvidas em relação a existência ou não de nódulos. Os nódulos devem ser destacados (alteração focal bem definida) e visualizados nos vários cortes. No infiltrado linfocítico, próprio das tireoidites, as alterações são difusas e podem ocasionar áreas pseudonodulares (falsos nódulos). Se persistir a dúvida, o Doppler colorido é um excelente recurso onde nos casos onde se caracteriza nódulo verdadeiro veremos o desvio dos vasos naquela região, não ocorrendo este desvio nos falsos nódulos. A nomenclatura “área hipoecogênica” deve se usada para falsos nódulos, ficando a terminologia “nódulos” apenas para os casos de nódulos verdadeiros, pois, nestes últimos, poderá ser necessário o prosseguimento na investigação diagnóstica.

Diversos autores têm demonstrado o risco aumentado para o carcinoma em pacientes portadores de tireoidite, pois há maior mitose e proliferação celular nestas glândulas, devido ao estímulo do TSH (thyroid stimulating hormone) e ao infiltrado linfocítico crônico (que leva a morte celular). É importante portanto que um nódulo identificado em uma glândula acometida por tireoidite seja pesquisado de maneira mais minuciosa que um nódulo identificado em uma glândula sem tireoidite.

O linfoma de tireóide, apesar de ser um tipo de câncer raro, pode ser precedido pela tireoidite crônica, sendo importante portanto se fazer um seguimento nos pacientes portadores de tiroidite.

É importante, no estudo ultra-sonográfico da tireóide, que se faça uma varredura dos linfonodos cervicais. Nas tireoidites, pode-se observar a presença de linfonodos no nível IV (da margem inferior da cartilagem cricóide - ístmo da tireóide - até a clavícula, lateralmente às artérias carótidas), sendo um nível linfonodal específico para drenagem de tumores da laringe, tireóide e outras estruturas.

© Direitos reservados. Artigo de caráter informativo, não devendo o mesmo ser usado com o intuito de se automedicar. Procure o seu médico.

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